O que descobri assistindo Rebelde de novo depois de 13 anos!

Se você era adolescente lá por 2006, provavelmente lembra da fase em que Rebelde estourou (se você estiver pensando no Rebelde brasileiro que passava na Record em 2011, então saiba que não é desse que estou falando), no meu caso, eu era criança nesta época, mas isso não me impedia de ser apaixonada por esta novela – e banda -, além de ficar absurdamente brava com qualquer um que ousasse dizer que High School Musical era melhor do que RBD.

Caso queira refrescar sua memória e lembrar exatamente daquele sentimento quando a novela começava, é só dar play e se ainda tiver guardado – assim como eu tenho – o álbum de figurinhas, pode pegar ele, abraçar bem forte e chorar comigo.

Minha vida girava em torno deles. Todo o meu tempo livre era gasto dançando todas as músicas do CD no rádio que ficava no meu quarto – o qual nunca foi tão usado quanto nesta época -, mas eu era muito nova, não tem como eu ver o mundo da mesma forma que em 2005 quando tinha 7 anos. A verdade é que é praticamente uma nova história assistir Rebelde de novo tantos anos depois, mas o amor, a nostalgia e a alegria de quando um capítulo começava com uma das minhas aberturas favoritas ainda é o mesmo.

  • Se fosse uma série da Netflix, todo mundo iria amar

    A história base é muito inteligente para chamar público: uma escola, adolescentes ricos com o estilo de vida sonho de muita gente, música, artistas, amigos, dramas com a família, críticas sociais, o desespero para se encaixar nos padrões de lá – que são bem altos, inclusive -, Elite Way School é um internato e isso ajuda muito, os casais, tudo deixa a gente curioso, apegado nesse mundo e as partes absurdamente bregas em nome dos anos 2000 poderiam ser simplesmente atualizadas e pronto, seria a nova série de sucesso da Netflix.

    Não ficaria muito animada com a ideia de outra pessoa como Roberta que não seja a Dulce Maria – sou tradicional nisto e vou protegê-los -, eu seria aquela pessoa que só coloca defeito no remake e não cansa nunca de repetir que o original era melhor. O ponto aqui é mais que o enredo gruda mesmo, até 13 anos depois. Faz pleno sentido o porque fez tanto sucesso. A gente se identifica com alguma parte da história, é inevitável.

  • Não era má influência

    Eu sei que os meninos olhavam em baixo das saias da meninas escondido e coisas do gênero, eles falavam de sexo (hoje em dia não acho esta parte necessariamente influência ruim, mas eu era muito nova, entendo o ponto) mas a principal mensagem durante toda a novela foi a mesma, que é basicamente os adolescentes aprendendo sobre ou tentando fazer com o que uns respeitem uns aos outros e que não devemos simplesmente aceitar algo que está errado porque já era assim antes. Mudanças são necessárias, precisamos atualizar o mundo e na verdade, é por pensar assim que eles são rebeldes, se rebelam contra o tradicional.

    Desde momentos bem feministas mesmo onde em pleno 2004 um professor falava para um turma inteira que a menina “viver trocando de namorado” não faz dela menos digna de respeito e vai contra própria escola colocando o emprego na linha para defendê-la de verdade, quando falam sobre gordofobia (o Miguel falava muito sobre isso para ajudar a Celina), uso de drogas, crítica aos políticos, corrupção, diferenças sociais extremas, relacionamentos abusivos ou que não eram saudáveis, desafiavam o que é considerado “coisa de menina/menino”, a lista é longa. Era 2004, esses temas realmente não eram comuns, até hoje não são – principalmente gordofobia -, ainda mais em televisão aberta.

    Não dá para esquecer os alunos lutando contra a seita que basicamente era um grupo de alunos dentro do Elite Way School que segregava, ameaçava, atacava e até matava se fosse necessário para que os alunos bolsistas (os pobres, no caso) não frequentassem a escola, já que eles valiam menos do que os ricos (na verdade, não valiam nada para eles).

    As críticas sociais eram o verdadeiro foco de tudo!

    A verdade é que eu só não via porque era criança demais para ver além do “ele gosta dela, ela gosta dele, eles são ricos, ela é mimada e eu adoro essas músicas”. Porém, hoje em dia eu acho mesmo que a mensagem entrou na minha cabeça apesar de tudo, mas vou falar disso em outro tópico.

  • Eu não entendia 50% do que acontecia

    Como eu já disse ali em cima, eu gostava tanto da parte da música, da Roberta e essas coisas que eu não entendia metade do enredo, mas o que eu assimilava era o suficiente para eu amar tudo aquilo.

    Seita? Era um mistério, não entendia direito nem o que queriam, quem eram e muito menos porque eles atacavam o Miguel.

    O pai do Diego? Chegava a mudar de canal quando tinha alguma cena com ele passando e perdia a crítica em volta do comportamento na política e vida pessoal. O qual é maravilhoso, a propósito.

    Toda a “indecência”? Eu só lembrava que os menino usavam um espelho nos sapatos para ver em baixo das saias, da tão condenada indecência que fazia todo mundo criticar Rebelde por apresentar aos adolescentes – criança, no meu caso -, eu sinceramente não lembro de nada, era pequena demais para entender ela, só fui realmente perceber só agora, mais velha. Eu só entendia a parte que eu gostava.

    A parte psicológica da vida dos personagens? Eu não entendia porque a Roberta era daquele jeito, muito menos notava como a Mia e o Diego eram basicamente abandonados pelos pais, o quanto o Miguel sofreu – e como isso afetava quem ele era – era basicamente ignorado pela minha versão de 7 anos e não compreendia mesmo o drama – na verdade, bem importante – em volta de como a irmãzinha da Lupita era maltratada. Eu também não prestava atenção nas críticas sociais, nem lembrava delas para ser honesta, mas é estranho como hoje em dia eu assisto e vejo como já disse frases que eles falaram na novela sobre qualquer um desses assuntos, os quais eu nem lembrava de um dia ter ouvido. Eu concordo com tudo o que eles diziam, o posicionamento político deles é basicamente o mesmo que o meu e me pergunto a influência deles nesse fato.

    As mensagens no início de cada episódio? Eu não entendia 99% de todos eles mesmo tentando ao máximo, era demais para a minha cabeça de 7 anos.

  • Sempre vou querer ser meio Roberta

    Também sempre vou falhar nisto em alguns aspectos. Quando o assunto é me impor diante do que acredito ser errado, mesmo que ninguém concorde comigo ou que esta escolha de me posicionar só vá atrapalhar a minha vida, aí sou como Roberta Pardo. Não consigo ficar calada, fazer isto me deixa doente.

    Também – honestamente – não ligo nenhum pouco para a opinião dos outros sobre como devo me vestir, agir, comportar, quem devo ser ou se acham errado o que eu acredito mesmo ser o certo. Acho que muito disso é herança da influência dela na minha vida. Uma herança muito boa que me permite ser menos insegura e  muito mais convicta.

    Por outro lado, sou bem mais certinha do que ela, até as “besteiras” que eu faço minha mãe sabe, não consigo mentir e muito menos ter aquelas ideias como as dela para fugir de um situação ou criar outra, raciocínio demais as coisas e não sei ser impulsiva em muitas horas que eu deveria ser. Admiro – principalmente esta impulsividade – e queria ter um pouco disto em mim. 

  • Alma Rey é poderosíssima e empoderada


    Um ícone que eu reneguei.

    Quando era mais nova eu simplesmente via ela como a mãe da Roberta e a mulher das roupas curtas demais (e julgava demais ela por isso), na verdade, ela passou por muita coisa, tem a cabeça super aberta – inclusive é quem vai dar as aulas de educação sexual no colégio -, é uma mãe maravilhosa, mãe solteira, além de que mostra que mesmo sendo basicamente a personagem com as roupas mais minúsculas da história, artista e tal, ela é muito mais do que isso. Completamente empoderada, cheia de sororidade e de quebra, inteligente, forte e bem mais do que um simples símbolo sexual. Rainha que eu reneguei sem nem perceber.

    Eu sei que essa imagem dela ajuda à objetificar as mulheres mas a real é que isso também entra dentro do feminismo, por ela ser sexy assim, usar as roupas que usa e como ela é julgada simplesmente por isso e diminuída à isso.

  • Continuo muito apegada em todos eles!

    Foi uma parte grande demais da minha vida, tão grande que ainda é. Tenho literalmente um armário de coisas do RBD desta época no meu quarto. É como aqueles filmes que a gente gostava quando era criança e nunca deixamos de amá-los, sabe?

    Uma coisa é certa, se eu estiver com muita ansiedade, crises de pânico ou triste, de alguma maneira, alguns episódios de Rebelde vão me colocar de volta no lugar.

    Tanto que não me arrependo nem por um único segundo das roupas que eu vendi para conseguir comprar o meet and greet para conhecer a Dulce Maria, que inclusive, teve um momento bem Roberta ao me defender do segurança que queria que eu saísse logo, mas ela brigou com ele algumas vezes – toda brava, digna de Roberta Pardo, quase morri – para ele deixar eu me acalmar para poder aproveitar o meet, já que eu estava chorando como chorei poucas vezes nessa vida, foi um tanto quanto patético, mas memorável.

  • Algumas coisas nunca mudam

    Tem coisas que ficaram mais complexas ao longo do tempo, situações que eu não conseguia entender e agora entendo, mas fico surpresa como um pedaço de mim ainda se sente da mesma maneira que naquela época. Têm coisas que nunca mudam.

    Ainda não suporto a Mia, apesar de entender um pouco melhor porque ela é como é.
    Ainda me frustro com a falta de atitude da Lupita, mesmo que goste dela.
    Ainda sou completamente apaixonada por estes dois juntos. Até mais do que antigamente. Neste caso, o sentimento só cresce.

    Ainda fico frustrada com quando o Diego usa gel no cabelo! Gosto tanto dele cacheado!
    A Roberta ainda continua sendo o que me prende tanto assistindo Rebelde. Também ainda gosto muito dela. Fico feliz quando vejo algo dela em mim.
    Ainda gosto das músicas. Elas são bom humor instantâneo para mim.

    Ainda queria ter uma Roberta para chamar de melhor amiga. Inclusive quem sabe seja culpa dela minhas altas expectativas.
    Ainda fico irritada quando abertura da novela é aquela única que não tem RBD de trilha sonora. Qual o ponto? Porque ela existe?
    Ainda quero socar o Diego de tempo em tempo. É amor e ódio. Mais amor do que ódio.



    Ainda
    me irrito um pouco como a Josi fala com a Lupita, mas principalmente, como a Vick tratava a Celina.
    Ainda tenho aversão de como cada maldito inspetor tratava a Josi.

    Mas principalmente, ainda me me faz muito bem ficar na companhia desses 6, é como voltar no tempo e nem de perto me arrependo de ter mantido perto de mim esta parte da minha vida. Se eu era nova demais na época, hoje talvez seja muito velha, então vamos fazer uma média.


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J.D


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1 Comment

  1. É NORMAL CHORAR LENDO ESSE POST? eu me identifico completamenteee sem tirar nem por
    mano rebelde é uma critica social foda, eu tenho orgulho de ter visto essa obra prima tantas vezes e toda vez entendo algo que não tinha percebido <3 sim sempre vou me identificar com robertaaa

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