Minha criatividade foi drenada pelo vestibular.

No momento eu nem ao menos sei o que está acontendo com a minha mente, só sei que é como se ele estivesse perdendo as cores ou algo do gênero. Alguém aparentemente está brincando com a saturação da minha vida e basicamente, me deixando mais naquela vibe de preto e branca que eu não quero no meu dia-a-dia. É como se me entregassem centenas de tubos de tinta e assim que eu coloco qualquer uma das tintas do pincel, elas viram todas o mesmo tom de cinza, sem variação, tudo quadrado, tudo padronizado.

Minha cabeça era encharcada de ideias e criatividade, mas agora ela apenas se sente meio abarrotada com conteúdos decorados e tem sua essência praticamente negada durante seis dias de semana nos quais eu tenho aula.

Essas tais “padrões educacionais” em que sou obrigada (por mim mesma) a me encaixar para quem sabe passar na tal da prova de qualquer vestibular tem me drenado de ser a pessoa que normalmente sou. Nunca fui muito fã de padrão e essa coisa de boa aluna/vestibulanda não muda minha cabeça sobre não sentir que preciso me encaixar nos tais padrões para me sentir bem. Mas o que acontece que eu estou virando aquele “robozinho” que preenche gabaritos automaticamente e tenta absorver conteúdo que nem ao menos entende ao invés de continuar sendo a menina com uma criatividade quase sem limites e ideais que surgiam aos montes a cada minuto, tudo por simples e pura pressão que eu coloco em mim mesma sobre o tal vestibular.

Admito uma coisa, desde que mudei meu foco para um curso menos concorrido, tenho sim estudado menos, me preocupado um pouco menos e meu esforço nem se quer se compara com o de muitos que conheço, mas a questão é que aquela quantidade absurda de conteúdo continua sendo jogado garganta abaixo e eu ainda tento diferenciar as estruturas químicas umas das outras enquanto meu cérebro implora para ouvir música nova e tirar um tempo para ler algum livro que eu goste.

Se estudo e entendo a matéria perfeitamente então eu estou bem, se tenho dificuldade eu me agonizo, se não estudo então passo meu tempo livre me sentindo culpada por não ter meu rosto enfiado em um livro. Desde quando eu deixo um boletim e alguns exercícios ditarem como me sinto?! Isso me irrita mais do que deveria.

Uma coisa é certa, se minha consciência tivesse esta opção, ela apertaria aquele grande botão vermelho que ativaria alarmes e avisos dizendo “Perigo! Não perca sua identidade por causa de tudo isso!”.

Acredito que uma conversa comigo mesma as vezes faz bem, afinal, quem melhor para me aconselhar do que quem me conhece melhor nesse mundo, então aqui vai o que eu mais preciso ouvir no momento, um recado do meu lado criativo e bobo para a estudante ansiosa e meio “quadrada” que vos desabafa neste texto.

“Boa tarde!

Não vão perguntar como vai seu dia pois sei que ele vai bem, nada de ruim aconteceu, mas também sei que as coisas boas que te faziam rir durante a aula não te fazem mais nem ao menos sorrir pois sua consciência – que já está meio quadrada – se sente culpada por se empenhar na sua risada escandalosa e nada discreta sabendo do vestibular que te aguarda.

Sabe, rir das coisas bobas na sua volta vai fazer você se desconcentrar das formulas que tem que decorar, da matéria, quem sabe vai até fazer seu déficit de atenção atacar, mas eu te juro por tudo que é mais sagrado que o peso que vai sair dos seus ombros com uma simples risada vai te ajudar muito. Você demorou tanto para se encontrar, não se perca por causa da pressão que coloca em si mesma.

Seu futuro é trabalhado em volta desses pensamentos criativos que te moldam, das ideias bobas que dão certo, da sua hiperatividade onde nem ao menos seu cérebro sabe de onde vem tanto conteúdo que não necessariamente é útil mas sempre se mantém criativo e um tanto quanto único. Seu futuro está aí, nessa criação de conteúdo completamente fora da caixinha. Não deixe que o seu desespero por perfeição, que a sua cobrança por surpreender suas próprias expectativas te transforme na pessoa quadrada que aprendeu química se afogando no próprio desespero, mas que perdeu sua essência.

Você sempre foi 8 ou 80, nada de meio termos na sua jornada. Seguindo esta mesma linha viemos parar aqui, com uma menina que se decide que vai estudar sério, você fica séria o dia inteiro. Mesmo que não estude, mesmo que esteja trabalhando nas suas paixões que não estão relacionadas a escola, tudo deve ser feito sério, nada na brincadeira, nada espontâneo, tudo programado e organizado como uma boa aluna que leva este ano de vestibular a sério. Por favor, te peço, pare com isso, não perca o prazer de ser “boba” no meio das páginas das apostilas que você acredita que deve guardar na memória como centenas de fotografias. Apenas saia e tire fotografias do mundo a sua volta como fazia antes, de tempo ao seu tempo e sorria mais, porque sorrisos nunca impediram ninguém de passar no vestibular.”

Sei que a tortura causada pelo vestibular é algo errado (pelo menos no meu ponto de vista), sei que sinceramente, a pressão que eu coloco em mim mesma é um milhão de vezes pior do que a que outras pessoas sofrem e não posso nem ao menos comparar, sei também que é praticamente certo que eu passe no curso que eu quero, mas existe uma frase onde dizem que a única certeza na vida é a morte o que me diz que nem ao menos o vestibular menos concorrido é garantido. Bom, só imagino como estão as pessoas com vestibulares realmente concorridos ficam. 

No meio desta chuva de informação que meu cérebro tenta absorver (e falha em executar tal tarefa), as vezes me pego pensando se met, et, prop e but são autores de diferentes fases do modernismo ou historiadores europeus que documentaram a primeira guerra mundial. É muita informação para a cabeça de uma adolescente, porque cá entre nós, um adolescente já enche a própria cabeça sozinho, sem ajuda nenhuma.

Isso tudo não significa que eu vou estudar menos, que eu acredite que deva me empenhar menos e afinal, eu sei que em algumas dezenas de dias toda essa tortura do vestibular acaba, mas este texto é só minha maneira de dizer que as vezes, toda essa loucura faz com que eu me sinta drenada e como se eu tivesse me afogando no absoluto nada.

(J.D)


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ps: Enfim, tudo isso é um desabafo que eu fiz em tempos onde eu estava um pouco mais neurótica do que o normal com a escola e vestibular. No final das contas, é por este motivo que tenho postado menos aqui no blog e acredito que vou continuar postando menos até o vestibular passar. Como comigo nada é simples e prático, então saibam que este textão foi só meu desabafo e meu jeitinho de dizer que ando muito ocupada mas o blog não foi abandonado (até porque ainda posto aqui), mas só estou mais ocupada do que o normal.

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