A sensação de terminar o ensino médio.

“É uma época maravilhosa, você vai sentir tanta falta!” provavelmente vou mesmo mas me deixem aproveitar este momento de liberdade pós ensino médio e pré faculdade onde eu me sinto livre de todo o peso dos estudos nos meus ombros, coisa que não acontece desde que entrei na escola, mereço essa pequena folga.

Antes que a nostalgia me atinja forte e eu comece a pensar em como vou sentir falta de algumas das pessoas que passaram por tudo isso comigo, me deixe aproveitar o momento onde eu comemoro o fato de que nunca mais vou ter que estudar química, pois esse é um momento um tanto quanto marcante na minha vida.

Foram horas tentando aprender coisas as quais meu cérebro se negava a assimilar, afinal, ele sabia que assim que eu passasse no vestibular ele esqueceria até mesmo as fórmulas mais básicas de matemática. A primeira prova que eu fiz na escola depois de saber que tinha entrado na faculdade foi basicamente o meu cérebro rindo de mim. Percebi que todas as horas de aula foram apagadas em um tempo ridiculamente curto após minha consciência assumir que nada daquilo seria útil. Juro, não tentei esquecer, eu apenas apaguei tudo da minha cabeça sem querer.

Quando descobri que o último ano do ensino médio havia definitivamente acabado para mim, que eu nunca mais seria obrigada a aprender química eu simplesmente tomei uma atitude. Com os olhos afundados em lágrimas de alegria, eu rasguei a tabela periódica mais próxima, não apenas no meio, mas eu várias partes. Olhando os elementos separados, cada um em um pedaço de papel eu me toquei que nem ao menos sei onde eles ficavam na tabela periódica, o que prova novamente o ponto de qual seria a aplicação de saber se tudo aquilo é um bom condutor, qual a massa molar ou a camada de valência no meu dia-a-dia. Não me leve a mal, sei a função da química nas nossas vidas e agradeço a todos os químicos que usam a mesma para fazer da nossa vida muito mais fácil mas isso é para eles, é o trabalho deles e a paixão deles, nem de longe é a minha e estou feliz por saber que nada disso é útil em dias normais pois seria um ser humano muito triste se tivesse que pensar na reação de elementos químicos todos os dias pelo resto da minha vida. No final das contas, não ter que lidar mais com isso é a grande alegria do meu fim do ensino médio.

Já me falaram que o ensino médio é a melhor época de toda a vida, sem querer reclamar nem nada, mas me recuso a aceitar essa época tão inconstante como o que há de melhor. Me perdoe por dizer, mas aquele aglomerado de hormônio adolescente misturado com uma grande quantidade de falsidade, hiperatividade e desejo por atenção não pode ser o melhor que está por vir. Não me entenda mal mas é que o ensino médio é lotado de altos e baixos, quero dizer, os altos são sensacionais e tenho certeza que algumas das melhores lembranças da minha vida vão vir desses últimos anos de escola, mas os baixos também são pesados, afinal, drama adolescente ainda sim é drama.

Sei que vou lidar com pessoas falsas, metidas e irritantes por toda a minha vida mas tenho certeza que a enxurrada de hormônio dentro de uma sala com mais de 100 adolescentes leva todas essas características a um extremo quase impraticável, tenho mesmo é dó dos professores que lidam com isso todo santo dia.

Dentro da sala de aula tudo parece bem mais irritante, pode ser o eco que deixa toda aquela gritaria mais alta ou o ambiente que já é meio pesado por conta própria, mas ali dentro, tudo parece o fim do mundo e a irritação é quase inevitável. Fora dali, estranhamente, todos se dão consideravelmente bem, não existem discussões – apesar das opiniões uns sobre os outros que permanecem insistentes -, ninguém fica realmente irritado com ninguém. Tudo é tão diferente e mais leve quando o ambiente não tem nada sobre química, física ou matemática que chegamos ao ponto de simplesmente começar uma guerra de água espontânea, quero dizer, está aí mais uma prova dos tais altos e baixos e de como tudo é inconstante. Acho que isso também diz algo coisa sobre o ambiente escolar ou estou louca?

É uma época emocional, hormonal e um tanto quanto bizarra. Dividimos ela com colegas de classe os quais não escolhemos e temos que lidar com isso enquanto aprendemos a lidar com nós mesmos, no final das contas foram incontáveis provas as quais fizemos e sofremos pelo resultado juntos, aulas pelas quais sobrevivemos apesar do sono, cansaço e do desejo de fazer qualquer coisa menos prestar atenção e é claro, broncas que levamos em conjunto. Foram viagens, festas, conversas sem sentido e outras profundas até demais, amizades que começaram, outras que terminaram, piadas internas, brigas, discussões, abraços, desabafos, alguns copos de bebida e por aí vai.

Isso é como um ciclo que termina, apesar de extremamente feliz por não ter mais que entrar naquela sala de aula para aprender sobre coisas que eu não me importo nenhum pouco, vou sentir saudade das pessoas que a mesma sala trouxe para perto de mim e daquela obrigatoriedade que eu tinha em ver meus amigos 5 horas por dia.

Acho que fica aqui o meu agradecimento final a qualquer um que me fez dar uma certa quantidade de risada, mas principalmente aos que fizeram parte do que eu vou levar de bom do ensino médio, também deixo aqui um grande desejo de que o karma chegue para quem me irritou profundamente e só digo que a vida segue, a gente cresce e tudo muda (mesmo que eu não goste muito disso). Ah, caso alguém esteja nessa mesma situação, quando a saudade apertar, lembre-se que só sentimos saudade daquilo que valeu a pena e isso diz muito sobre todos esses momentos bons e ruins.

(J.D)


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