[ Snape e Lily ]: um amor doentio feito de remorso!

Okay gente, não me crucifiquem antes de ler o texto. Juro, já mudei a ideia de muitas pessoas sobre o Snape e lidem com isso. Mas me deixe adiantar uma coisa: eu amo o Snape mesmo, juro que é um dos personagens que eu mais amei acompanhar durante os livros, me apeguei desesperadoramente apesar de ele não ser meu personagem favorito. Mas para mim ele não é um herói e o que ele sentia pela Lily foi se tornando algo ruim. E não, isso não me impede de amar ele.

Agora senta que lá vem história, mas quem é potterhead vai ler e viajar comigo aqui.


Vamos começar quando a Lily e o Severo eram crianças e ele se apaixonou por ela. Super bonitinho e tal, amor infantil e sinceramente, extremamente fofo e conquistou meu coração. Afinal, olhe isso (e ignore a cor dos olhos da Lily) e me diga se não é muito amorzinho?

Enfim, eles foram para Hogwarts e acabaram em casas separadas como todos sabemos e o jovem Snape fica com ciúmes dela, sente falta dela, e mais uma vez, super compreensível e bonitinho. Como já disse, é aquele amor entre crianças que é puro e um charme.

Ao chegarem em Hogwarts, o Chapéu Seletor colocou Severo e Lílian naSonserina e na Grifinória, respectivamente. Eles permaneceram próximos pelos próximos poucos anos até que foram separados por Tiago Potter e pelo interesse de Severo nas Artes das Trevas. A amizade finalmente acabou após o incidente que Harry brevemente testemunhou em seu quinto ano, no qual Severo acidentalmente insultou Lílian. Apesar desta separação e pela amargura de Severo com o eventual marido de Lílian, Tiago. Severo continuou a amar Lílian de uma forma muito mais profunda e muito mais forte pelo resto da vida.

Desde cedo o Severo caminhava para o mundo das trevas sim. Tanto que inventou o feitiço de Sectumsempra onde seu objetivo é causar centenas de pequenos e profundos cortes na vítima, já chamou a Lily de sangue-ruim e foi assim que se afastou dela, virou comensal da morte muito antes de virar o “agente duplo” que conhecemos, sempre foi apaixonado pelo assunto da artes das trevas e é isso é muito claro no livros e filmes.

Pelo que sabemos o James e a Lily começaram apenas a namorar por volta do quinto ano de Hogwarts pois ela não aceitava as atitudes dele perante o Snape e enfim, todos sabemos que o James era o popular com atitudes babacas (e mesmo assim, amamos ele, afinal, todos amam os bad boys) e o Snape o nerd excluído e “estranho”. Nessa época o amor ainda era compreensível, afinal, a Lily foi a única garota que via além da aparência de cabelos sujos e ensebados e seu nariz um tanto quanto grande, afinal, como o R. J. Lupin diz, ela via beleza nas pessoas mesmo quando outras pessoas eram incapazes de ver, ela via a beleza interior do Snape.

“Ela tinha um modo de ver a beleza nos outros mesmo quando aquela pessoas não conseguia ver em si mesma.”

Mas continuando e indo alguns anos para frente nesta linha do tempo: todos os membros desse triângulo amoroso se formam em Hogwarts e a Lily e o James se casam. Sinceramente, o Snape tinha todo o direito de não gostar da Lily acabar com quem maltratou tanto ele durante seus tempos de escola, ele poderia ficar bravo, irritado, decepcionado, com ciúmes. Mas ele precisava saber que estava na hora de superar o amor não correspondido. Mas isso não é crime. Não digo que o Severo deveria esquecer a Lily pois ela era uma grande parte de sua vida e ainda por cima, a pequena ruiva era a única capaz de ver a beleza interior do comensal da morte, mas sabe, estava na hora de literalmente seguir em frente.

Logo a Lily e o James tem um filho. Mas aquele amigo de infância chamado Severo Snape continua apaixonado. Lembrando que ela está casada e é mãe. Pensa comigo, um homem adulto passa sua vida amando uma mulher que está gravida de outro homem sabendo que ela ama esse outro homem e é feliz com ele. De bônus eu posso deduzir que esse amigo de infância provavelmente deveria ter seus sonhos obscenos com a esposa e mãe de alguém, afinal, ele é adulto/jovem e achar que isso nunca aconteceu durante muitos (e muitos) anos amando a mesma mulher é mais do que apenas ingenuidade. Isso não é certo.

Se coloquem no lugar da Lily e imaginem essa situação acontecendo com você, casada, com um filho.

Me desculpem mas hoje em dia se um stalker desse deixasse essas atitudes públicas (todo o sentimento antigo por uma mãe de família que é casada) dependendo do nível que isso chegasse, é sério, isso poderia acabar em processos, ordens de restrição e essas coisas. Nessa época o Severo já deveria ter seguido seu próprio conselho e controlado sua emoções.

“Controle suas emoções”

Essa história de “Mas ele tentou salvar a Lily, pediu que Voldemort poupasse ela!” não funciona já que na realidade ele pediu para proteger a Lily, apenas a Lily. Jamais se importou se quer com o filho que a senhorita Evans tanto amava, nunca se preocupou com a vida do bebê inocente, ele apenas queria proteger sua amada mesmo que ela vivesse uma vida miserável sabendo que seu marido e filhos foram mortos, mesmo sabendo que a batalha que ela travava contra Voldemort havia sido perdida e que pessoas inocentes morreriam todo dia, mesmo sabendo que quem poderia salvar o mundo bruxo estaria morto.

Voldemort futuramente admite que vai ir atrás dos Potter e Snape pede mais uma vez para ele poupar Lily (lembrando que ele pede para poupar apenas a Lily) mas sabendo do destino certo onde Voldemort eventualmente mataria a Lily que tentaria proteger seu filho, então finalmente Snape corre para Dumbledore e nosso querido diretor que então esconde a família Potter inteira pelo bem do mundo bruxo. O príncipe mestiço queria apenas proteger a Lily, só ela. Ele jamais ligou para a criança da profecia que poderia salvar infinitas vidas, para as vidas que seriam perdidas se apenas a Lily sobrevivesse. 

Isso também não é atitude de herói, é egoismo.

Para proteger a Lily, o Dumbledore de um certo modo obriga o Snape a virar o “agente duplo” que conhecemos, afinal, Snape faria qualquer coisa para Salvar a Lily. Lembrando mais uma vez que ele faz toda a promessa para o Dumbledore para esconder e proteger apenas a Lily. O fato dele não se importar com o perigo que ele colocaria a humanidade com essa decisão me assusta, ele é um homem frio. Afinal, isso não é amor de verdade ou sequer atitude de uma pessoa com o mínimo de bondade e como sabemos, todos temos trevas e luz dentro de nós, são nossas escolhas que mostram quem somos. Acontece que as escolhas dele não foram tão boas.

“Todos temos luz e trevas dentro de nós. O que importa é com qual parte decidimos agir. Este é quem realmente somos.”

Snape claramente nunca se preocupou com a segurança do mundo bruxo e trouxa, nunca se importou com vidas que o Lord das Trevas tirava aos milhares e pelo fato de que era por isso que a Lily lutava todos os dias! Tudo o que importava para o Severo era ter a Lily para si mesmo.

Ele vai ver o que aconteceu com a Lily e sabe que vai encontrar todos mortos (exceto pelo Harry) e simplesmente passa reto pelo corpo do James no corredor. Sinceramente, o James era um idiota com o Snape, mas nada justifica passar reto pelo corpo frio e morto de alguém no chão, repito, nada. James Potter mesmo sendo idiota com o nosso professor de poções, ele ainda era o amor da vida da Lily e isso na minha opinião deveria ser o suficiente para o mínimo de respeito com o corpo frio e sem vida dele no chão.

Enfim Severo chega no quarto e corre abraçar o corpo sem vida da Lily e vocês sabem como acontece o resto. Tudo o que importava para ele na casa de tragédias era ela.

Pense novamente em você como mãe ou pai, todos mortos, seu melhor amigo ali diante de seu filho traumatizado, sobrevivente e chorando vendo sua família jogada no chão sem vida. Você não gostaria que ele demonstrasse o mínimo de amor? Mas eu quero dizer amor mesmo e não aquele remorso pela morte da Lily escondido atrás de maus tratos que o Snape sempre deu para o Harry.

O Snape sabe que a criança está sem seus pais, que uma vida de perseguição das artes das trevas o espera, o Severo inclusive já viu os corpos dos pais do Harry, mas não, ele não se importa com o menino chorando no berço ou com o fato de que a Lily iria gostar de saber que ele, o seu melhor amigo, deu amor ao seu filho no momento em que ela não pode fazer mais isso. Mas a frieza de Snape diante de um bebê chorando em frente ao corpo de sua mãe e a morte do jovem James me assusta muito por um lado. Para mim, ai acaba de vez o romantismo.

No final, foi o passado de Severo e seu amor por Lílian Evans que definiu seu ser interior. Após ouvir a a profecia, ele imediatamente informou ao seu então mestre o seu conteúdo, sem saber que estava pondo Lílian e sua família em perigo. Foi só depois da morte de Lílian que Severo percebeu o que tinha feito. Ele sofreu um remorso terrível por que tinha feito e passou o resto de sua vida em perigo constante para proteger o filho de Lílian.

…por culpa, remorso.

Não entendam mal, o Snape é sim um herói e um personagem que eu admito que gosto muito! Sempre gosto dos personagens mais rancorosos, “malvados”, fechados e misteriosos. Mas eu gosto do Severo porque me apeguei nele durante os anos que passei lendo dos livros e assistindo os filmes e não por essa história de amor que me soa um tanto quanto esquisita e bizarra. Lembre-se: se coloque no lugar de Lily e pense, você acharia isso romântico ou meio assustador?

Ah, e cá entre nós, ele poderia ter lidado com o Harry como um aluno qualquer e não como a miniatura do James. Para que ser um babaca com o filho do cara que era um babaca com ele? Pode ser meu espirito lufano falando, mas se ele não gostava do que o James fazia com ele, para que fazer algo que segue a mesma linha com o Harry? Tudo bem, eu sei que ele sempre cuidou do Harry e que ajudava ele em quase tudo mesmo que o pequeno Potter não notasse isso, mas eu NÃO acho que os meios justificam os fins nesse caso. O nosso Harry era apenas uma menino de 11 anos, órfão, perdido, traumatizado e confuso. Tudo o que ele não precisava era de um professor que o tratasse absurdamente mal pela história que o mesmo tinha com seu pai com o qual o menino nem havia convivido  e nem sonhava que os dois ao menos se conheciam, enfim, tudo isso provavelmente só deixava o protagonista dos livros ainda mais confuso e se sentindo mais renegado ainda.

Juro que eu acharia isso tudo lindo se o Severo ajudasse o Harry pelas boas lembranças que tem da Lily, por respeito a mãe dele, por saber que a Lily gostaria de ter seu filho bem cuidado por um amigo dela. Amaria tudo isso se o “always” representasse uma amizade eterna mesmo depois da morte, um agradecimento eterno por ela ter sido a melhor amiga dele durante tanto anos ou até que representasse aquele amor e respeito gigantesco entre amigos e por ai vai. Só gostaria que esse amor não representasse uma paixão um tanto quanto doentia.

Respeito a história e entendo a teoria de “um amor eterno” que é super romântica, mas nesse caso…não acho romântico não. Acho que é um personagem fascinante que eu amei acompanhar mas com um comportamento psicótico e doentio. Toda a imagem de bonzinho veio de um amor doentio que deveria ter sido superado ao menos quando Lily engravidou e de um risco de vida que ele mesmo se colocou por sentir culpa pela morte de Lily, apenas pela morte dela.

Lembrem-se que ele foi um comensal da morte desde o início. Lembre-se que ele deve ter matado, presenciado mortes, que ele participou da “limpa” que Voldemort queria fazer deixando apenas os seus aliados já sabendo que Lily estava no outro lado, ele ajudou Você-Sabe-Quem a fazer coisas horríveis e inimagináveis. Me desculpa, mas 17 anos como “agente duplo” não valem a quantidade de vidas que ele arruinou.

Lidem com isso.

Mas repito antes do adeus, adoro o Snape e a complexidade dele, ler suas falas sempre foi maravilhoso, conhecer a história dele foi algo que eu aproveitei até a última gota. E o Alan Rickman então…este tem um espaço eterno em meu coração e sinto falta dele sem ao menos ter conhecido ele.


Se você leu este post até aqui, muito obrigado e espero que você não me odeie nesse momento, afinal, é só a minha opinião. Mas sabe, precisava contar ao mundo o meu ponto de vista sobre a história de amor favorita entre a maioria dos potterheads porque eu sei que tem muita gente por ai que tem essa mesma opinião.

Enfim, me conte aqui em baixo, qual a sua opinião sobre o Severo Snape e toda a história de amor? Concorda comigo ou não? Quero saber a opinião de vocês já que aparentemente eu e um grupo aleatório de pessoas somos os diferentões que não acham tudo isso super lindo e maravilhoso.

Compartilhe o post nas redes sociais para os outros poderem tirarem suas próprias conclusões também!

(J.D)


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9 Comment

  1. Herói salva a todos, não somente uma pessoa que ele diz amar. Como previsto, concordo com tudo o que você disse.
    Aliás, esse ‘amor’ do Snape com a Lily sempre foi muito problemático e muito egoísta. Como você disse, ele nem se importava com o quanto ela sofreria com a morte do marido e do filho, só não queria que ela morresse. Inclusive, tenho certeza que ele acharia isso ótimo, assim não existiriam outras pessoas na vida dela, então ela iria para os braços dele. Não tem nada de bonito ou heroico nisso.

    1. Juliana D'Ornellas says: Reply

      SIM! Sim! Sim! Adoro o personagem do Snape como disse, acho que é um personagem muito além do complexo e isso é maravilhoso, mas esse amor na verdade, não é amor para mim e para você também não! Juro que quando vi que tinha comentário novo fiquei com medo de estar sendo linchada mas fico feliz que não seja o caso hahaha!

  2. Luly says: Reply

    Acho que o Snape é um personagem que dava um tese ou algo assim para se analisar, de tanto que temos pra falar dele. Quero deixar claro que também gosto dele (não é um dos meus favoritos, mas gosto) e não o vejo como o herói, mas sim como anti herói, como a J.K. Rowling disse. E assim como ela disse (também), pra mim ele é “cinza”.
    Eu acho que nada no mundo justifica o bullying em relação ao colega e não defendo o que James e trupe fizeram contra ele, mesmo que na própria história seja dito que ele revidava. James era babaca! Mas acho que o Snape também era, e pior: era mau! Ele aprendeu a ser bom, mas era mau. Ele chamou a pessoa que supostamente mais amava no mundo de “Sangue Ruim”, que a gente se acostumou ao longo da história de tanto ver sendo dito, principalmente pelo Draco, mas esquece que é a PIOR ofensa que se pode fazer a um nascido trouxa.
    Ok, aí o outro amadureceu e casou com a Lílian, ele ficou ressentido, “denunciou” o profecia que mataria a família da mulher, deu tudo “errado” e teve que lidar com isso. Acho que você mesma já disse o quão ruim é tudo isso. E dá dó ver que se tornou um adulto tão amargurado, mas eu acho que NADA justifica a maneira como ele trata alguns alunos. A cena em que ele humilha o Neville na frente do Lupin, que estava dando sua primeira aula pro menino assim, DE GRAÇA, nossa, aquilo eu nunca superei. Acho que é porque gosto muito do Neville, mas ver um adulto tratando uma criança dessa forma, e num ambiente escolar ainda, parte meu coração.

    O que acho bacana na história dele é essa possibilidade de se arrepender e “mudar de lado”, mesmo que não concorde com os motivos e métodos. Mas também não dá pra ignorar que mudou e fez o que devia ser feito! Ele teve que conviver até o fim da vida com a culpa, se arriscou horrorosamente pra compensar e fez tudo bem feito nesse aspecto. Não podemos ignorar isso. Mas também não dá pra ignorar o resto.
    Não é 8 ou 80, ele é todos os números entre esses dois, e é o que acho que o trona incrível como personagem!

    1. Juliana D'Ornellas says: Reply

      Sim claro! As atitudes dele moldaram a história e com toda a certeza salvaram o mundo bruxo no final das contas. Podia não ser a melhor intenção do mundo mas no final das contas foi um ato importante e que fez toda a diferença do mundo. Gosto disso dele ser “cinza”! JK rainha maravilhosa sempre, mas admito que para mim ele é tipo um cinza escuro, mas um cinza escuro que eu amo muito. Exatamente, ele é complexo o suficiente para ser um dos melhores personagens da saga na opinião de muitos e inclusive na minha.

  3. Vejo o Snape como um personagem absurdamente introspectivo e que sente as coisas com muita intensidade. Os meios termos não são alternativas bem definidas para ele, que concentra-se nos extremos. Essas características de sua personalidade o fazem uma pessoa que tem uma tendência muito maior a guardar mágoas ou rancor.
    Snape era sarcástico e provocador e é bem provável que ele adorasse isso. Assim como você, no entanto, não acho que ele seja um vilão. Mas por bem pouco, por ter acontecido uma merda tão grande na vida dele que o fez seguir por outro caminho.

    O Snape teve um infância horrível, criado por uma mãe bruxa que apesar de não ser a mãe do ano, ainda assim era boa para ele. E tinha um pai trouxa, que era um puto. E essa era a referência de trouxas que ele tinha. Até conhecer a Lily, que o fez questionar as próprias crenças.
    Snape sempre teve ambição e sede por conhecimento. Magia das trevas é misteriosa e sedutora e para alguém que sempre foi ávido por conhecimento e, com a personalidade que o Snape tinha, algo incrivelmente atraente. Principalmente quando ele conseguiu enxergar que dentro do círculo sonserino que ele estava, esse tipo de conhecimento era uma chave para aceitação e poder.
    Não, Snape não era bom. E nunca foi uma alma caridosa (nem adolescente e nem adulto). A falta de preocupação dele com a morte do bebê Harry, independente de ser filho ou não de alguém que ele odiava, é a prova disso. Mas tenho minhas dúvidas se o Snape de hoje deixaria isso acontecer, caso pudesse evitar. Mesmo que continuasse odiando o guri por ser um Potter (o Snape de antigamente certamente deixaria).
    Em relação à JK, meio que já temos a resposta, Segundo uma entrevista que ela deu há um bom tempo, ela comenta que se o Snape pudesse voltar no tempo, ele nunca teria seguido pelo caminho percorreu.

    Você comentou sobre o Snape stalker, mas acho que o momento onde vemos uma situação do Snape perseguindo a Lily foi quando eles eram adolescentes (até logo após o fatídico episódio que vemos na penseira). Após isso, Snape seguiu apaixonado por ela sim, mas provavelmente não perseguindo-a. (Até pq se ele a tivesse importunando após ela ter iniciado relacionamento com o James e após o seu casamento, imagino que nós saberíamos disso de alguma forma).

    A morte da Lily pode ter sido o gatilho para que ele conseguisse enxergar a proporção do que estava fazendo. Ainda, eu não acho que Snape partilhasse totalmente de todos os ideais do Lord das Trevas. Mas está ali era forma de adquirir conhecimento e poder e isso o convinha. De impressionar e mostrar àqueles que o trataram com desdém que ele era alguém (seu pai, seus colegas de Hogwarts e, claro, o pai e o padrinho do Harry).

    Acho que inicialmente a mudança de Snape de lado realmente foi exclusivamente pela Lily, mas ao longo do tempo imagino que ele realmente passou a ver Dumbledore como mentor. E que a sua jornada passou a ser uma busca pela redenção. Embora ache que nem ele, Snape, tenha enxergado isso até o seu final.
    Não consigo enxergar o Snape que conhecemos hoje, principalmente, torturando alguém simplesmente pelo prazer da tortura ou matando alguém por prazer em tirar a vida dessa pessoa (como a Bella, o Voldemort e até mesmo a Umbridge faria). O trecho no qual o Dumbledore questiona o Snape quantos ele não viu morrer e, a sua resposta: “ultimamente apenas aquele que eu não pude salvar”, me faz pensar isso. Se fosse exclusivamente por Lily, porque ele desprenderia forças para salvar ou evitar a morte de qualquer outro, mesmo sabendo o risco que corria ao fazer isso?
    Sim, Snape amava a Lily (e concordo que não era um amor totalmente saudável, embora também não ache que era exclusivamente obsessão) e muito do que fez, foi por ela. Mas esse mesmo amor que ele guardava também o modificou, sem nem ele mesmo perceber. Não acho que um amor exclusivamente obsessivo tenha capacidade de mudar positivamente alguém.

    Isso é apenas minha opinião, é óbvio. Seja como for, Snape é um personagem extremamente complexo e é incrível que a JK tenha nos apresentado um personagem como esse. Thanks, Jo!

    1. Juliana D'Ornellas says: Reply

      Concordo que com o tempo o Snape mudou de lado e acreditou no Dumbledore e em tudo o que ele representava, sem a menor dúvida ele mudou e acredito que a magia das trevas que o atraiu no início não deveria ser mais algo apelativo para ele. Você já leu Cursed Child? Em um momento fica claro a mudança do Snape, já que ele se orgulha do nome do filho do Harry e de tudo o que aconteceu, aparece um Severo bem mais doce. Eu adoro o Snape, acho ele bizarro (até demais) e acho que ele romantiza um amor nada saudável que acabou fazendo mal para ele mesmo (apesar de ser essencial para trama) e eu não gosto muito disso, no geral, mesmo que a Lily não tenha provocado isso propositalmente, ela alimentou esse amor que ele sentia por ela. Cá entre nós, na adolescência todos temos nossos amores dramáticos que podem gerar crises existenciais e nos levar a decisões mais obscuros assim como as do Snape, acredito assim como você que ele se redimiu e que realmente não é a mesma pessoa que foi quando jovem mas não consigo gostar da “romantização” desse amor que fez tanto mal para um quanto para outro.

      Mas como você disse, a Jo criou um personagem sensacional que eu (apesar de todas essas minhas opiniões) amo do fundo do meu coração e acho que ele tem um papel gigantesco tanto na trama quando no impacto emocional que a história deixa na gente e como sempre, thanks Jo por criar um personagem desse.

    2. rose says: Reply

      Com as poucas informações do livro, e tudo o que a autora expõem nas entrevistas é natural pensar que esse amor que ele sentiu foi doentio. Mas como adultos, pensemos bem se realmente os adultos agiriam assim? A história de Harry Potter tem muitos furos, inclusive a própria morte dos Potter e o comportamento dele Snape antes disso, porque ele mesmo não os protegeu? Porque o Dumbledore não os protegeu? coloca debaixo da asa e vai a luta hora… mas aí queridos a história perde a magia, perde a graça… e ela, a autora, quis, de maneira torta, talvez por falta de senso, dar um tom romântico ao comportamento do personagem (que para mim é mais importante que o próprio Harry Potter) para dramatizar e criar a tão essencial empatia e redenção que ele precisava. Comigo funcionou, e me dou por satisfeita em interpretar que ele não foi nenhum obsessivo, nenhum perseguidor, afinal as informações que a autora me forneceu não consta que ele procurou a todo o custo separar a mulher que ele amava de seu rival, ele a deixou ser feliz, e por circunstancia do destino suas histórias se encontraram novamente.

  4. Caio Lucas says: Reply

    Não vou fazer textão, pois você já disse tudo o que precisava ser dito. Concordo totalmente, e fico feliz por alguém ter, finalmente, trazido essa verdade a público. Ótimo texto!

    1. Juliana D'Ornellas says: Reply

      AAAH QUE BOM LER ISSO (apesar de que admito que adoro um bom textão) mas é muito bom encontrar alguém que pensa do mesmo jeito sobre tudo isso! Muito obrigada!

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