Faz 20 anos que o primeiro Harry Potter foi publicado!

Sinceramente, minha cabeça não é capaz de decidir por onde seria certo começar. A questão é que o dia 26 de junho de 1997 mudou muitas vidas, inclusive a minha. Esse é o dia em que o primeiro livro do Harry Potter foi lançado no Reino Unido. Foi a primeira vez que alguém pode ler essa história pegando a obra da J.K. Rowling direto das prateleiras de uma livraria qualquer.

Desde uma geração que se apaixonou por livros graças a essa saga; até o impacto social do livro na vida de quem os leu quando nem se quer tinha uma personalidade realmente formada; todos que desesperadamente quiseram aprender inglês para poder ler os livros originais ou assistir o filmes sem legenda; uma quantidade inimaginável de pessoas que conseguiram fugir um pouco de grandes problemas, traumas e depressões com a ajuda desses livros que começaram a 20 anos e muitos novos pequenos leitores que vão pouco a pouco virando a mais nova geração de fãs.

Harry Potter me tirou da minha zona de conforto do melhor jeito possível. Qual é, que pré-adolescente de 12 anos sairia sozinho para ir em evento que não conhecia ninguém com pura convicção de que tudo seria simplesmente ótimo? Pois é isso que eu fazia puramente motivada por essa saga. Eu tinha certeza que, ao chegar nos eventos eu estaria em um local confortável, agradável e extremamente receptivo, que amizades surgiriam e que simplesmente ao dizer de qual casa eu pertencia, me encaixaria em um grupo de pessoas as quais eu nunca havia conhecido mas que se tornariam, em alguns segundos, praticamente irmãos temporários, pois afinal, nesse grupo, eu estava em casa, com a minha casa. Pois eram exatamente assim os eventos. Por mais que eu tivesse 12 anos e alguns outros participantes até mais de 40, isso não significava muita coisa, ali dentro ninguém era diferente ou superior por causa da idade. A única coisa que importava era ser fã da saga (e não quebrar as regras dos eventos). Esse era aquele ambiente sem julgamento que eu amava entrar quando eu me perdia dentro dos livros. Minha utopia fantasiosa fora da ficção.

Foi nessa época que eu me toquei o quanto essa saga realmente impacta as pessoas, como ela poderia estar fazendo parte de quem um dia eu me tornaria. Quero dizer, por mais que existissem absurdas diferenças, uma intriga enorme entre as casas (a propósito, a Lufa-lufa sempre ganhava), no final, nada disso realmente importava, a questão era que todos nós – ou, melhor, sem generalizar, todos que eu me lembro -, mesmo previamente separados por nossas características, seguíamos com a mesma linha de pensamento, nos comportávamos como uma só comunidade baseada no que – muitas vezes inconscientemente – aprendemos com aqueles livros.

Desde essa época eu não parei mais com essa de “Harry Potter”. Acredito mesmo que estes livros que começaram a 20 anos me moldaram como pessoa pouco a pouco. Mas sinceramente, só realmente para para analisar esse impacto na minha personalidade faz pouco tempo, mas, vou dizer, a influência deles em mim foi forte.

Foi graças a Harry Potter que eu acabei sonhando em ser escritora, e por influência desse desejo acabei com esse blog. Graças a saga que eu comecei a me interessar por gerenciar redes sociais, pela comunicação (dentro do fandom) e hoje curso Relações Públicas, tenho meu blog, faço estágio em produção de conteúdo, participo da equipe do Potterish nas mídias sociais e ajudo no TOMMO no que for preciso. Meu inglês melhorou ridiculamente por essa minha mania de ser fã, a primeira necessidade não veio com Harry Potter (já que o Potterish já traduzia tudo fazia muito tempo), mas o treino tão necessário veio com a saga. Afinal, minha aula era de inglês americano, o britânico, inicialmente, era um enigma. Grande parte dessa minha crença de que não é porque alguém é mais velho e mais poderoso socialmente que ele está certo, bom, veio de Harry Potter (pode adicionar o RBD nesse fato, como um bônus). Esses são só os fatos mais superficiais, aqueles que não precisam de uma análise profunda da minha personalidade para eu conseguir explicar. A questão é: por aí vai.

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Quero dizer, Harry Potter moldou as pessoas, moldou grande parte de mais de uma geração e essas gerações, vão ser responsáveis por criar outras. Ser realmente fã da saga, para quem convive nesse fandom, é quase sinônimo de alguém tolerante e eu amo isso. Um exemplo é que na página do Potterish lidamos, as vezes, com comentários preconceituosos, os quais acabam sempre sendo bombardeados com respostas contra o posicionamento, digamos, primitivo. Não consigo achar o modo como esses livros influenciaram tantas pessoas nada menos do que admirável. É praticamente magia. Mas afinal, como Dumbledore disse  “Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia.” e mais uma vez, ele estava certo.

Quem imaginaria, naquela época, que aquele livro infantil que foi rejeitado várias vezes viraria tudo isso? Afinal, livros infantis não dão lucro, autoras mulheres não dão certo (e daí vem a autora ser conhecida J.K. Rowling, afinal, não dava para reconhecer o gênero) e obviamente, não daria em nada. É uma sequencia de fatores que provam para mim o quanto essa história foi maravilhosa, surpreendente, fora dos padrões e inspiradora desde o início, melhor ainda, continua sendo tudo isso. Acredito que é por isso que Harry Potter tem esse efeito nas pessoas, por desde o início não ter sido nada padronizado, por ter sido visto como uma promessa para o fracasso e ter acabado assim, com uma história absurda de sucesso. É inspirador não é? É quase como se esse início difícil no mundo real fosse parte da história fictícia, afinal, as duas combinam e ambas voltam para a mesma questão do não desistir, confiar nos seus instintos e talentos, nos preconceitos sendo quebrados e naquilo de que o que todos acreditavam que daria errado, acaba dando certo.

Não sou capaz de descrever o quanto essa história me segurou de pé durante tempos difíceis, sei também que não sou a única que passou por isso. Existem coisas que nos distraem dos problemas e ajudam simplesmente com essa forma de “terapia ocupacional”, mas Harry Potter passou desse nível, de modo as vezes até inconsciente, eu acabava me encontrando dentro de conselhos perdidos em trechos dos livros. Não sei dizer quantas vezes o que eu mais precisava ouvir, estava escrito naquelas páginas e para ser bem sincera, na maioria das vezes, sob a voz do Dumbledore. Novamente, está aí, essa é a tal “magia das palavras”.

Como a McGonagall disse uma vez “Ele vai ser famoso, uma lenda. […] Vão escrever livros sobre Harry. Todas as crianças no nosso mundo vão conhecer o nome dele!” e eu devo dizer, tem sido um prazer fazer parte desse mundo.

(J.D)


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