Problematizando Sexy por Acidente!

Isto de uma certa forma é uma resenha do filme em questão, mas é uma bem diferente das outras que eu faço no blog. Falei um pouco da minha opinião sobre este filme nos stories do meu Instagram – já me segue? @judornellas – e deixei claro que eu acho que apesar de o filme ser vendido como body positive, motivador, focado em uma boa autoestima, ele não é nada disso. Na realidade, é o oposto.

A Amy Schumer é responsável por dar vida à personagem principal,  a Renee e esta é a história dela:

Renee, uma mulher comum, luta diariamente com sua insegurança. Depois de cair de bicicleta e bater a cabeça, ela de repente acorda acreditando ser a mulher mais capaz e bonita do mundo. E com isso começa a viver a vida mais confiante e sem medo das falhas.

A realidade é que ela não se sente mais confiante – porque confiança envolve amar, acreditar e confiar em quem você é -, ela só acorda se vendo mais magra e por isso sente confiança. De primeira, é simplesmente engraçado e esquisito, mas a história vai seguindo e a própria personagem da Amy Schumer faz comentários gordofóbicos e que são basicamente menosprezando quem tem o corpo que ela tinha antes – na verdade, o corpo que ainda tem, ela só se vê diferente –  e honestamente, exaltando muito a magreza.

Quando a Renee se enxerga bonita – termo que ela mesma usa quando faz um pedido em uma fonte algumas cenas antes – pela primeira vez, é olhando para os braços e pernas dela. Como eu sabia que ela iria ficar confiante depois de bater a cabeça enquanto assistia o filme (atenção no confiante, não “se enxergar magra, com outro corpo”), minha primeira reação foi achar aquilo legal porque eu tenho muito problema com os meus braços mesmo (mesmo depois de já ter perdido peso), faz muito pouco tempo que comecei a me ver livre destes problemas – mesmo, muito pouco tempo – e sou completamente encarnada com as minhas pernas por 400 motivos que enxeriam dez posts sozinhos, mas foi legal até o momento em que ela diz a frase “Do I look super toned to you?” que seria algo como “Eu pareço estar super tonificada para você?” – algumas traduções literalmente colocam toned body como um corpo mais magro, menos enfraquecido e até belíssimo – e eu me toquei que ela não estava se enxergando e se amando (o que foi o motivo pelo qual eu sentei para assistir este filme extremamente animada porque ele foi vendido como sendo isso, inclusive levando Sexy por Acidente como algo que faria bem para a minha autoestima) e sim, se vendo magra.

Pronto, primeiro gatilho. Um – na verdade, provavelmente, bem mais do que isso – ponto negativo pra minha autoestima já que foi jogado na minha cara que a garota com quem eu e muita gente se identificou completamente nas dores e inseguranças ganhou a confiança literalmente vendo no espelho uma pessoa completamente diferente de quem ela é, tão diferente que ela acredita que ninguém se quer reconhece ela, alguém que ela provavelmente nunca poderia ser. Renee ganhou confiança sendo outra pessoa, o que qualquer pessoa com problemas de autoestima já quis fazer mas luta diariamente para aceitar que não pode e que deve se amar sendo quem é.

Outra coisa que me incomodou ao longo do filme é como eles tentam tirar risadas de quem o assiste a custo de “olha como é ridículo esta gorda fazendo coisas de magra” ou como a confiança dela com o corpo que ela tem é tão absurda que vira piada e vamos combinar, estas frases por si só já estão inteiras erradas. Somando à isto, mostra pessoas literalmente rindo dela, olhando de cima para baixo com cara de nojo nas cenas, o que somado criou o segundo gatilho que durou praticamente o filme inteiro, porque isso se repete incansavelmente.

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Sei que estas coisas acontecem na vida real, principalmente no contexto onde a Renee se encontra – que é no mundo dos cosméticos, beleza e tal -, mas de novo, o filme foi vendido totalmente como algo bom para a autoestima de qualquer gordinha ou ser humano inseguro, o que ele não é. Além disso, na hora em que as pessoas olham a personagem desta forma pejorativa, o filme tenta fazer quem assiste rir ao custo de ela ser confiante do jeito que é, no peso que tem, na área em que trabalha. É engraçado a gorda segura de si. É engraçado quando não achar que ela trabalha alí porque é gorda (afinal, uma gorda no ramo da beleza?). Eu não achei nenhum pouco legal Sexy por Acidente tentar fazer as pessoas rirem a custo disso.

A personagem da Amy em vários momentos elogia o corpo que acredita que tem, faz comentário tipo “alguém como eu”, “com o corpo que eu tenho” sendo completamente segura de si. São nesses momentos que eles tentam tirar risada – eu sinceramente, demorei pra entender que era para ser piada – por ser uma mulher gorda (apesar de ela achar que está magra) se sentindo assim, orgulhosa do corpo que tem. É como se dissessem que alguém com o corpo como o da Amy Schumer sendo segura e amando o próprio corpo fosse piada.

“Você está problematizando demais!” Problematizando Sexy por Acidente é o nome do post e de verdade, para você nada disso pode ter incomodado, você pode pesar muito mais do que a Amy e ter gostado do filme como a Alexandra do Alexandrismos (apesar de que ainda acho que ela deveria ter olhado o filme com os olhos de alguém que ainda não se ama do jeito que ela se ama antes de indicar o filme para a audiência dela, porque grande parte está tentando lidar com autoestima baixa e aceitação ainda), mas pode ver a sua autoestima decair muito depois de assistir um filme que imaginava que fosse te ajudar à se amar um pouco mais. A jornada de cada um com aceitação é diferente e na minha – e de muitas outras pessoas que achei nessa internet – este filme infelizmente faz mal.

Desde logo após a cena onde ela se enxerga magra até um momento onde as amigas ficam tão cansadas de serem ofendidas e menosprezadas pela Renee por serem normais (como e ela era antes) que se afastam dela por isto, a Renee que acredita ser a sua versão com o corpo do sonhos faz dezenas de comentários que basicamente são usadas como piadas mas diminuem, menosprezam e colocam pra baixo qualquer pessoa que não tenha o tal corpo de modelo das meninas que a personagem principal mostra como perfeitas ao longo do filme.

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Sei que a risada e os olhares são coisas que realmente acontecem, mas de novo, é vendido como um filme todo empoderado e isso definitivamente trouxe de volta velhas inseguranças de “está todo mundo olhando” ou “vão rir de você” e principalmente, essas coisas que são literalmente maldosas são usadas para (tentar) fazer quem assiste rir também.

A mensagem final do filme é aquela clara e obvia desde o começo, de como ter confiança muda tudo; que não era o corpo – magro que ela achava que tinha – e sim ela, por quem ela realmente era, que fez tudo aquilo e mudou a própria vida; é a história de que se você se acreditar que pode, você realmente pode e é uma mensagem legal sim, verdadeira mas que e perde muito pelo fato de que ela só se tornou estar mulher poderosa, segura de si que mudou a própria vida drasticamente porque acreditava que era outra pessoa.

Quando ela acredita que voltou a ser o que era antes, a Renee diz chorando “eu voltei a ser eu”. Isso foi bem pesado para mim.

I Feel Pretty – que é o título original em inglês de Sexy por Acidente – foi completamente vendido como algo para quem não tem o corpo padrão se sentir bem sabe? Mas honestamente, eu que tenho sim problemas de autoestima bem pesados, já tive dismorfia corporal bem séria – hoje em dia é um pouco mais tranquilo – dei de cara com várias cenas que trouxeram de volta algumas inseguranças, me lembraram de medos bobos que a minha baixa autoestima trás que eu já tinha esquecido.

Não é nem de longe tão pesado como 13 Reasons Why, mas a ideia do que eu vou dizer é a mesma. Esta série fez muito bem pra pessoas com depressão, ansiedade, pânico e vários outros problemas, mas fez absurdamente mal – causando até suicídio e por exemplo, eu tive crises de pânico sem parar, pelo menos 1 vez a cada 4 dias por mais ou menos 6 meses – pra muitas outras. Em um nível bem mais leve, Sexy por Acidente faz a mesma coisa quando o assunto é fazer bem para um lado (que eu, honestamente, nem entendo como pode fazer bem, mas isso é algo pessoal) e mal para o outro.


Se você – de alguma forma – não estiver se sentindo bem com você mesmo, sofrendo com autoestima baixa, criticando demais e achando ruim tudo o que você faz, se sentindo mal com quem você é e/ou a sua aparência, se comparando demais com outras pessoas, duvidando de si mesmo, tem muito medo de rejeição, sensação de incapacidade, se preocupa demais com o que os outros vão pensar, não reconhece seus pontos fortes e vitórias – porque você tem vários, pode confiar -, de verdade, se estiver sentindo qualquer uma dessas coisas ou qualquer outro ponto onde percebe que a sua autoestima e confiança está muito baixa, procure um profissional.

Saúde mental não é brincadeira, se sentir assim não é certo, gatilhos pra este tipo de coisa também não. Se cuidem, sempre.


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J.D


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2 Comment

  1. Carol Lamonica que vc ama says: Responder

    Queria dizer que achei o filme incrível. Trás uma mensagem BEM legal. Eu poderia falar mais, porém odeio ficar digitando. Sou adepta a áudio ahhaha. Mas o filme trás uma mensagem ótima e as coisas que é colocado como “supostos gatilhos” é o que no mundo real acontece. E também no final demonstra um porque de tudo. Achei incrível maravilhoso real e com uma mensagem linda.

    1. Juliana D'Ornellas says: Responder

      Mas é por isso mesmo que é gatilho amiga, porque acontece na vida real. Em 13 reasons why o estupro foi gatilho porque é algo que acontece. Eu odeio digitar no celular hahahahha só escrevo no whats qndo estou com ele aberto no computador, se não é audio sim hahahahaha!

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