Flower: se prepare para a Erica!

NOTA: ☆ 4 de 5

O filme é…
surpreendente em toda cena, seja com um plot twist, pelo tema do filme que é diferente do que parecia ser ou com algum momento imoral que parece normal nas mãos da Erica.


Flower é vendido como um Lady Bird, The Bling Ring – no máximo – ou quem sabe um Spring Breakers mais high school. Surpreendentemente, quase todos os trailers e sinopses de Flower deixam de fora tudo o que o filme é realmente sobre – aprecio a surpresa e recomento ela -, logo a única coisa realmente certa nessas comparações é a protagonista feminina adolescente e rebelde, mas o filme não é exatamente sobre isso.

A superfície do filme Flower é o clássico adolescente revoltado fazendo besteira, mas quanto mais você assiste e pensa sobre, mais você vê que ele é sobre bem mais do que isso! Bem mais mesmo.

Não vou te contar muito da história e recomendo que se puder, continue só com a explicação bem básica dessa sinopse que esconde todo o verdadeiro enredo e foi a mesma que me fez acabar assistindo este filme:

Erica Vandross, uma adolescente de apenas dezessete anos, é bastante conhecida por seu comportamento astuto, muitas vezes considerada teimosia pelos mais velhos. Ela vive com a mãe e o padrasto em San Fernando Valley, na Califórnia. Quando Luke, o filho de seu padrasto, se muda para a casa onde vive, uma amizade surge entre os dois, mesmo com seus comportamentos distintos. Luke conta um segredo dramático para Érica, que decide agir em defesa do amigo agindo com as suas próprias mãos, sem saber das consequências que podem surgir em sua vida por conta dessa atitude.

A verdade é que Flower vai te deixar no mínimo um pouco chocado, perturbado, incrédulo graças ao inesperado. Ele te surpreende em toda cena, seja com um plot twist, pelo tema do filme que é diferente do que parecia ser ou com algum momento absurdamente imoral (como a própria primeira cena, que te pega despreparado logo de cara). Grande parte do imoral é por Erica – a personagem principal – ser menor idade e de cara, já começar o filme com um pedofilia razoavelmente disfarçada na confiança dela. Se parar para pensar, pedofilia é o assunto de fundo que movimenta a história. Sei que quando digo isso assim, parece ser algo meio Laranja Mecânica nível de bizarro e não é isso, mas definitivamente, de uma maneira disfarçada, repleta de daddy issues e impulsividade, trata de pedofilia de mais de uma maneira, mas fique tranquilo que não tem nada muito pesado sobre este tema no filme, além do próprio tema em si. Fica de aviso se este é um assunto que pode ser gatilho para você.

Como eu disse, o que eles vendem como sendo o que o filme é e a realidade são diferentes, sim tem a Erica de 17 anos que não liga para a opinião de ninguém e é sempre razoavelmente grossa, sem muita empatia aparente com ou outros e sarcástica na quantidade certa para seguir no papel de adolescente rebelde, mas tanto o enredo quanto a própria Erica (Zoey Deutch) são muito mais do que isso. Na verdade, o script dele é tão complexo, surpreendente e difícil de explicar sem arruinar as 400 surpresas por cena do filme que ele esteve na The Black List – que é uma lista dos melhores scripts ainda não transformados em filme que são feitas todo ano – de 2012, e para você ter uma ideia de que tipo de filme faz parte dessas listas, saiba que Bastardos inglórios, Juno, As Aventuras de Pi, Little Miss Sunshine, O Discurso do Rei, X-Men Origins: Wolverine, Sniper Americano e até mesmo Jogos Vorazes e A Culpa É Das Estrelas (que inclusive foi da lista do mesmo ano que Flower) uma dia fizeram parte de alguma The Black List.

Honestamente, demorei uns dias para chegar em uma conclusão sobre este filme. Como disse, ele é no mínimo único, extremamente polêmico, trata de assuntos pesados e a personagem principal mexeu com a minha cabeça já que ao mesmo tempo eu a adorava, a achava forte, poderosa e absurdamente ingênua e babaca. Precisei sentar e deixar meu cérebro se acostumar com o final e separar um pouco do que a minha moral dizia ser errado do que o filme é em si. Me peguei tantos dias com tudo o que aconteceu rolando ocasionalmente pela minha mente que tive certeza, eu amei o filme, por mais contraditório que ele tenha sido.

Vi algumas pessoas dizendo que a personagem da Erica é apresentada superficialmente demais, mas discordo. Acho que essas pessoas simplesmente não pensaram no personagem, quem sabe esquecerem o que é por uma fachada pra lidar com algum outro lado da sua vida, isso porque pra mim desde o começo foi óbvio como toda a postura dela vinha de algum lugar bem mais profundo dentro dela e pra mim, fica bem claro o que é este problema mais pro final do filme. Na realidade, eu achei ela uma personagem muito bem construída, com várias camadas, só é preciso prestar atenção e quem sabe, lembrar um pouco como é ser adolescente.

Se você quiser ver um trailer, assista à este mas eu recomendo que nem assista e não procure outros (inclusive, o único legendado em português no youtube conta demais da história, não assista, é o único trailer desse filme que faz isso e estraga uma pouco as surpresas que o filme te trás).

A sequencia interminável de surpresas e o enredo que por ser exatamente imoral, é muito surpreendente.

Saiba que o filme com certeza não é para os membros da família tradicional brasileira que se ofendem com facilidade, também é válido lembrar que ele foi classificado como R nos Estados Unidos o que significa que abaixo dos 17 era necessário estar acompanhado dos pais para assistir – classificação que eu acho bem válida -, definitivamente acho que a instabilidade das críticas que vão de baixas até super altas são muito por causa deste fator polêmico (principalmente, as críticas do público) mas apesar de tudo, eu realmente gostei muito deste filme ele com certeza vai entrar na minha listinha secreta de filmes que protejo, defendo e faço propaganda quando posso.

Honestamente, se você falar que não gosta do filme, eu entendo, ele é bizarro, controverso, esquisito da sua própria maneira, pode ser problematizado do início ao fim – o que eu fiz, por isso mesmo demorei tanto para conseguir separar os meus ideais da minha opinião do filme como filme -, mas eu gostei, honestamente gosto da história ser problemática do jeito que é, de como a Erica te surpreende a cada segundo da maneira mais errada possível, só realmente acho válido ver quem está assistindo o filme, como a pessoa é, quais gatilhos ela pode ter, qual a idade dela e que seja alguém com a personalidade formada o suficiente para não ser influenciada pela Erica e amigos, achando que aquilo é ser um adolescente maneiríssimo e legal. Resumindo, você não quer (e não deve) que alguém ache o modo como ela vive a vida (até o momento onde dá tudo errado) e outras coisas legal.


NOTA: ☆ 4 de 5


Lançamento: 20/04/2017 no Tribeca Film Festival e 16/03/18 nos cinemas nos EUA
Duração: 93 min
Direção: Max Winkler
Gênero: Comédia dramática
Elenco:

  • Zoey Deutch
  • Kathryn Hahn
  • Tim Heidecker

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J.D


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