A Travessia: uma biografia que parece ficção

NOTA: ☆ 3,9 de 5

O filme…
não é pra você se tem medo de altura, mas por favor, assista se sente que gostaria de uma biografia que parece ficção contada de um jeito (muito) apaixonante com um protagonista bem teatral!


Quando um filme é dirigido por Robert Lee Zemeckis a única certeza é que você vai assistir um história sendo contada lindamente. É só pensar que ele dirigiu, Forrest Gump que a certeza fica maior ainda. Se ainda quer mais credibilidade, é só lembrarmos que ele também dirigiu a trilogia de De Volta Para o Futuro.

Quando ouvi falar deste filme fiquei desesperada para assistí-lo, mas sabe quando uma vontade se perde no tempo e fica esquecida? Na verdade, o que foi esquecido no meio de muita coisa foi – na verdade – o nome do filme: A Travessia.

Em 1974, o equilibrista francês Philippe Petit ficou conhecido no mundo inteiro ao fazer uma travessia (por si só ilegal e que para ser realizada, precisou de outras várias ações ilegais) em um cabo de aço de mais de 40 metros de comprimento entre o topo das Torres Gêmeas.

O filme conta esta história.

A Travessia tem um fator emotivo inegável, mesmo que durante ele não toquem no assunto. Todo este enredo absurdo – que realmente aconteceu – foi por causa da beleza, grandiosidade e tudo mais que as torres gêmeas representavam e eram, então, toda vez que o Philippe (Joseph Gordon-Levitt) passa para nós este amor por elas (e como ele passa, inclusive, por mais que eu já soubesse o quanto elas representavam, nunca me apeguei no prédio em si como ao assistir este filme), não tem como evitar aquele sentimento pesado graças ao 11 de setembro ter tirado tudo aquilo do mundo.

 

Tem gente que se incomoda com o narrador ao longo do filme, eu – sinceramente – gosto. Dá aquele ar de conto, de uma história que alguém está de contando pessoalmente para você – mas que se fosse este o caso, você provavelmente não acreditaria nela -, é como se fizesse o contato entre quem assiste e o filme ser mais pessoal.Não vou negar, que narrador em algumas história é desnecessário, mas nessa – pra mim – adiciona mais magia à uma pessoa que o Joseph Gordon-Levitt me passou como sendo muito única e quase mágica de tão teatral. Devo dizer que sou apaixonada por histórias, filmes e personagens teatrais, afinal, são esses que sempre me surpreendem.

 

 

Realmente, o início é mais devagar – principalmente se pensarmos que a história sendo o que é, poderia realmente ser um filme muito mais focado na tensão da situação, no suspense, lotado de momento onde o coração quase para do começou ao fim – mas me mantive entretida graças à este lado teatral e mais artístico o qual eu gosto muito em filmes. Pode irritar alguns esta demora, a paciência pode começar a diminuir, mas definitivamente, quando a verdadeira travessia começa, todo o alívio cômico de cenas que não necessariamente precisavam existir (mas eu gosto delas, apesar disso) que acontecem na primeira metade do filme, se tornam ansiedade e desespero para ele não cair da altura do 110º andar.

 

A história apesar de real, é contada de uma maneira bem mais Forrest Gump ou Big Fish do que o 127 horas que poderia ser se você só ler uma sinopse básica e imaginar. Eu gosto disso.

 

Fui ler algumas críticas e li um ponto no qual não tinha pensado. Realmente o Philippe fala o tempo todo sobre o vácuo, a imensidão, como se ele tocasse o céu quando está fazendo alguma travessia, mas, durante praticamente toda ela o que realmente nos mostram é a altura – o que definitivamente me deixou arrepiada e extremamente agoniada -, o risco de cair e a possível morte (que é um palavra a qual o personagem principal nem se quer fala). As cenas são focadas no que está em baixo do protagonista, na altura e não na imensidão, na sensação de cruzar os céus que o equilibrista não para nunca de falar sobre e agora que me toquei disso, realmente, talvez por isso julgue o Philippe como realmente muito louco e não consiga entender pelo menos um pouco do que motiva esta loucura. Sinto falta de poder ter tido a chance de viver – por meio do filme – esta sentimento do qual este francês tanto fala de forma tão apaixonada.

De alguma maneira, esta biografia não homenageia simplesmente quem viveu esta história, o Philippe. Ela presta uma homenagem maravilhosa às torres gêmeas que vemos muito mais em filmes que tratam do famoso desastre que elas – infelizmente – fizeram parte. É legal, nostálgico –  mesmo que nunca tenha se quer visto elas pessoalmente ou me lembre de 11 de setembro direito – de uma maneira boa ver algo o que normalmente é sempre rodeada de uma aura negra infinita na nossa memória (e em filmes) ser mostrada de uma forma tão leve, bonita, como a motivação de um sonho. É quase como uma época inocente do World Trade Center que me faz ver com mais dor ainda a tragédia que aconteceu ali anos depois.

Se você é como eu e gosta de filmes mais teatrais, ele é pra você. Se você procura uma biografia tensa, cheia de momento onde você para de respirar por alguns segundos, quase como um filme de ação da vida real com dramas pesados e cenas fortes (como em O Que Te Faz Mais Forte com o Jake Gyllenhaal, que inclusive, é um filme sensacional), então A Travessia (The Walk) não é o que procura. Ele é muito mais delicado do que isso, mesmo que a história tenha um potencial gigantesco para fazer seu coração parar 45 vezes, ela é contada de uma maneira que vai fazer seu coração ser mais ou menos como o do Grinch e crescer 3 vezes em alguns momento, já em outros, vai te deixar com vertigem em nome do Philippe por causa de toda a altura.


Lançamento: 08 de outubro de 2015
Duração: 2h 03min
Direção: Robert Zemeckis
Gênero: Biografia, Drama, Aventura
Elenco:

  • Joseph Gordon-Levitt é Philippe Petit
  • Ben Kingsley Personagem é Papa Rudy
  • Charlotte Le Bon é  Annie Allix

NOTA: ☆ 3,9 de 5


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J.D


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