Quando a sua vida inteira não cabe em um quarto.

Um quarto é feito para você dormir, quem sabe tenha uma mesa para você estudar, uma televisão para te distrair, se você não tiver um closet, também serve para guardar suas roupas e provavelmente, é isso ou quem sabe, até um pouco menos.

Enquanto crescemos vamos adicionando o que precisamos dentro dele. Quem sabe uma dessas coisas seja a escrivaninha ou a própria televisão, outra possibilidade são lugares para guardar livros que acumulamos ao longo dos anos, também podemos pintar as paredes, as quais provavelmente, em algum momento, tiveram ou ainda vão ter posters de alguém ou algo grudadas nelas.

Não sei em que idade as pessoas normalmente chegam nesse momento em que estou, mas meu futuro de repente pareceu não caber mais entre essas quatro paredes que eu tanto amo e onde sempre encaixei muito bem minha vida. É o espaço que me limita graças a maldita física que dita que dois objetos não podem ocupar o mesmo lugar.

meu quarto

Minha mesa me inspira em cada pequeno detalhe. O lugar perfeito para preencher um bullet journal e digitar posts gigantescos sem forçar a criatividade, sou apaixonada por este mural (que diga-se de passagem, deu muito trabalho para ser feito), mas nem por isso ela serve como cavalete, abre espaço para uma softbox quando necessário, as prateleiras não se multiplicam quando os livros não cabem mais nelas, uma parede nova, lisa e branca com alguns metros livres na sua frente não surge para eu poder usá-la de dez maneiras diferentes sendo todas elas necessárias, a cama continua no lugar ideal para colocar um tripé e um cantinho pronto para eu poder sujar sem me preocupar permanece inexistente.

É pedir demais que um cômodo novo surja do nada e me permita fazer tudo o que a vontade ditar? Pode até ser, mas eu juro que me soa justo. Minhas vontades são parte do que eu quero fazer pelo resto da minha vida, não é simplesmente um desejo superficial de sentir a alegria que fazer algumas dessas coisas me dá. Não que alegria seja superficial, ou pelo menos, não é nisso que você deveria acreditar. De alguma maneira, parece que a vida me diz que eu preciso da minha própria casa, onde cada cômodo foi planejada com o propósito de tudo funcionar da melhor maneira possível.

Não é realmente sobre o tamanho do cômodo ou a disposição dele, é sobre como um quarto se tornou muito pouco para envolver toda uma vida. Meu futuro as vezes parece não caber no meu quarto, ou pelo menos, dificultá-lo. De repente, cresci mais do que minha casa e isso um tanto quanto assustador porque eu não cresci emocionalmente (alô ansiedade) e nem financeiramente o suficiente para ir embora. Alguém me aluga um cômodo a 5 metros da minha casa? Pago com a alegria de viver enquanto destruo suas paredes com tinta.

Para a tristeza geral da nação, os ambientes não se adaptam naturalmente às nossas necessidades.  Meu quarto não vai se transformar em uma sala, um biblioteca, cozinha e o que mais o destino ditar e eu precisar, a questão toda é esse realizar de que eu cresci mais do que o mundo planejou para dentro da minha casa, a única em que eu já morei, a que eu amo e sou absurdamente apegada emocionalmente. É a vida me dizendo que em alguns anos eu vou sair daqui. Como a Sandy dizia em nos anos 2000 e bolinha, “cresci e agora sou mulher”, adulta, maior de idade a mais de 1 ano, lidando com a realidade de que as coisas que mais marcaram minha vida estão ficando com bem mais de 10 anos de idade e eu lembro perfeitamente delas.

Estou ficando velha, ou melhor, envelhecendo. O que me dá ansiedade mas sinceramente, mal posso esperar para um dia, em um futuro distante, um filho meu sentir que a vida dele não cabe mais em quarto e eu saber que está passando por esse exato momento onde percebe que cresceu demais.


Post diferente né? Mais pessoal do que o normal! Estou realmente querendo postar coisas desse gênero aqui mais vezes, afinal, esses pensamentos fazem parte de toda a minha hiperatividade que compõe o blog. Além de que, de alguma maneira, pode fazer com que você se identifique com seja qual for esse pensamento e momento que está rodando pela minha cabeça. Bem Bruna do Depois dos Quinze mesmo. Você pode saber ou não, mas eu escrevo crônicas (apesar de só ter descoberto exatamente o gênero literário faz pouco tempo) faz muito tempo, só que eu sempre guardo pra mim ou pra um amigo no máximo (o que é extremamente raro). Mas se um dia eu quero publicar um livro (e como eu quero), preciso largar disso!

J.D


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