Somos afobados, estamos perdidos e temos metas inatingíveis.

“Somos” com enfase no eu também sou e quando, por um momento bem curto, deixe de ser tão “assim”, acabo escrevendo textos sobre isso tentando conscientizar o futuro eu e quem mais precisar, de que nós acabamos nos perdendo de nós mesmos e está tudo bem. No meio de tanta informação, do estresse do dia a dia, daquele que surge sem um motivo aparente, do que acorda conosco todas as manhãs e até daquele que vem de um indesejado pesadelo que tivemos, perdemos a nossa espontaneidade que nos faz ser exatamente quem somos, a nossa versão nua e crua, sem o impacto assustador – e inevitável – de absolutamente tudo.

O mundo nos afoba, joga informação de todos os lados e nós recebemos elas em 360º. Tudo está mais rápido; as informações vão embora em pouco tempo, se tornam velhas em questão de horas; os snaps e stories que você quer ver vão sumir em 24h e você precisa assistir agora ou, dizer adeus para cada informação contida em cada um deles; o vídeo em alta no Youtube de hoje, amanhã vai ser conteúdo velho; os anúncios que duram 5 segundos antes de podermos pulá-los parecem durar uma eternidade, mesmo sabendo que é tão pouco; as coisas vão de desconhecidas para modinha, de modinha para desprezivelmente “mundanas” em meras semanas; os singles dos artistas duram cada vez menos, apesar de as mesmas músicas ficarem repetindo nas rádios brasileira, as “50 mais” de qualquer lista mostram outra realidade; as pessoas se tornam bem sucedidas e como consequência, role models, cada vez mais cedo e deixam os adolescentes de 16 anos se sentindo inúteis e sem futuro, porque, aos meros 17, às vezes parece tarde demais para começar.

Nem percebemos mais, mas somos bombardeados com informações 24 horas por dia, com conteúdo novo e necessário para o “sucesso” na vida em sociedade. Também é dito que devemos conseguir acompanhar tudo, é o certo, não é? Outras pessoas conseguem, deve ser bom, fácil, não deve te estressar, é saudável, é sociável. Não é?

Sentimos que fazemos pouco não importa o quando a gente se esforce e independente de resultado, na maioria das vezes nós vamos compará-lo com o de outra pessoa e depreciar nosso trabalho, mesmo que tenha atingido nossas expectativas tão naturalmente altas. A sensação é que, todo dia, tudo fica mais inatingível e as expectativas mais altas.

Não sonhamos mais em ser como uma pessoa, queremos ser 10 pessoas, ou melhor, a parte bonita que vemos de cada uma delas. Nossa meta vira se tornar a parte perfeita, irreal e pública da vida dessas dez pessoas que são, cada uma por si só, uma em um milhão e que nunca, jamais, vemos sofrer.

Exigimos muito de nós mesmos. Carregamos demais, uma vida só é muito, mas ainda levamos, todo santo dia, muitas outras, tudo isso sem nem percebermos.

Esse excesso de informação que vai tão além do que somos capazes de lidar faz parte do nosso cotidiano e, quem sabe, seja por isso que o nosso dia a dia é sempre tão maldoso. Quando percebemos, tomamos remédios para ansiedade, temos crises de pânico e deixamos de ser quem somos.

A verdade é que nunca fomos ensinados a filtrar nada disso, isso porque somos a primeira geração de filhos que nasceu nesse mundo que gira na velocidade da luz e nós vamos aprender, para que, com sorte, criemos uma geração que faça o mundo girar um pouquinho mais devagar, em uma velocidade que nosso cérebro, coração e saúde mental consigam aguentar sem se danificar. Onde os 5 segundos de um anuncio, não pareçam uma eternidade e perda do seu precioso tempo, afinal, são só 5 segundos de um dia que não deve ser preenchido com o peso do mundo inteiro.

J.D


Siga o blog e saiba antes de todo mundo que tem post novo no Lua de Vênus.
siga no BLOGLOVIN +  ou  + siga no BLOGS BRASIL +

twitter – tumblr – fanpage – instagram

Leave a Reply